São Pedro de Alcântara
Numa tarde frustrante, como em tantas outras, sentei-me no mesmo banco. Naquele banco onde observo Lisboa ser banhada pelo Sol. Nessa tarde frustrante tive um encontro importante. Era uma tarde banal como tantas outras. Os turistas passavam por mim, ignorando por completo a minha triste presença, o fadista cantava e tocava no seu local habitual, os pombos vinham-me visitar na esperança de uma migalha perdida e o vendedor de bugigangas piscava o olho e sorria sempre que passava por mim. Mas naquela tarde sentia-me tão frouxa que ao invés de abrir o meu livro, fiquei apenas a observar o que me rodeava. O aspecto comum e banal de tudo feria-me como um gesto brutal. Sentia uma necessidade ilusória e desenfreada de me descartar de mim própria. O livro não era mais suficiente. A cerveja também. E, muito menos a música dos auscultadores servia o seu propósito. De repente reparei, mesmo na ponta do miradouro, num jovem casal que bebia cerveja. Eu estava perfeitamente à vontade com aqu...


