Ensaios Temporais


Não sei o que é o tempo. Penso se existe uma medida que o quantifique e, se sim, qual será. Perco tempo agora, enquanto fumo um cigarro, a pensar obscuramente sobre as velocidades a que o tempo opera. A reclamação de que este voa como se durasse um segundo, não é nem nunca será uma reclamação exclusiva.

Chegam-me, então, pensamentos absurdos, que não consigo repelir por serem verdade. Engraçado, como as mais simples e elementares verdades soam absurdas. Sei, com toda a simplicidade (ilusória que a vida oferece), que há tempo para tudo. Tempo para viver, para morrer, tempo
para nascer e tempo para sermos destruídos. Tempo para termos tempo e para não o termos. Tempo para sermos quem somos e quem não somos.

Não sei o que é o tempo. Não sei como o qualificar, mas sinto-o. O tempo do relógio é efémero, mecânico e falso. O tempo dos sonhos é errado e ilude-nos. O tempo das emoções é falso por sentirmos o tempo com a ajuda das sensações. Por vezes, julgo, que tudo é falso e que o tempo é a moldura que nos destrói. 

Não sei o que é o tempo. Sei apenas que com ou sem medida ele nos mata. Nos momentos conscientes sinto-o como a uma pessoa e fico paralisada!

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