II



Reciclo os meus passos sempre que venho aqui. Os turistas felizes a passear desenterram todas as boas memórias. São pequenos quadros de lembranças, nós a passear ao longo do rio, rindo, olhando nos olhos um do outro, conversando versos mentais. Os gestos, o corpo, o silêncio riscando o que seria uma bela narrativa.

Já te foste embora faz seis meses e naquela manhã os meus pés pareciam mais pesados do que o normal. Eu queria ficar ali para sempre ou então evaporar-me e achar-te no meio das nuvens. Na transparência da luz, respiro e vejo por alguns segundos o mundo como via quando estavas aqui.

Nada disto deveria ter acontecido. Talvez a chuva no final do dia lave esta melancolia. Talvez o frio de inverno de traga para perto de mim. Talvez seja melhor eu me sentar aqui. Faz hoje um ano que te conheci. Fumo um cigarro. Penso. Divago. O céu hoje está azul, as pessoas aproximam-se devido ao frio, o Tejo parece mais branco e o asfalto queima saudade.

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